Empréstimo consignado CLT (Crédito do Trabalhador): como funciona, margem e juros em 2026

Por Equipe Guia da Grana · Publicado em 25 de agosto de 2026 · Crédito · Leitura de 9 min

Empréstimo consignado CLT (Crédito do Trabalhador): como funciona, margem e juros em 2026

Até pouco tempo atrás, empréstimo com desconto direto em folha era coisa de aposentado do INSS ou de servidor público. Isso mudou em março de 2025, quando o governo federal lançou o Crédito do Trabalhador: uma linha de consignado aberta a qualquer empregado com carteira assinada, com juros bem mais baixos que os do crédito pessoal comum ou do rotativo do cartão. Em janeiro de 2026, o programa já somava mais de R$ 101 bilhões em operações, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Se você tem CLT e está pensando em trocar uma dívida cara por um consignado — ou simplesmente quer entender do que se trata antes de aceitar a oferta que apareceu no aplicativo da Carteira de Trabalho Digital — este guia explica quem pode contratar, quanto pode comprometer do salário, quanto custa e quais cuidados tomar.

O que é o Crédito do Trabalhador

O Crédito do Trabalhador é a política pública que organizou e ampliou o consignado privado no Brasil. Antes dela, cada empresa precisava fechar convênio individual com um banco para que seus funcionários pudessem contratar esse tipo de crédito. Hoje, qualquer trabalhador com vínculo formal ativo pode simular e contratar diretamente pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital, sem depender da adesão do empregador, com o desconto da parcela sendo informado automaticamente ao empregador via eSocial.

Podem acessar o Crédito do Trabalhador:

Não têm acesso: trabalhadores intermitentes, temporários e aprendizes, além de servidores públicos estatutários (que têm regras próprias de consignado). Também ficam de fora, para uma nova contratação, quem já tem outro empréstimo consignado ativo no mesmo vínculo empregatício ou quem possui empréstimo pessoal sem garantia em aberto — segundo as regras do Ministério do Trabalho e Emprego.

Uma exigência técnica importante: o trabalhador precisa ter registro de remuneração no eSocial na competência mais recente. Sem isso — por exemplo, em empresas que atrasam o envio das informações — o sistema não libera a simulação.

Quanto você pode comprometer: a margem consignável de 35%

A regra vale para o setor privado assim como já valia para o INSS: a soma de todas as parcelas de consignado não pode ultrapassar 35% da remuneração disponível (o salário já descontados INSS, imposto de renda e outros descontos obrigatórios). Esse percentual é global — soma o que você já tem contratado com o que está pedindo agora, não é 35% por contrato.

É responsabilidade do empregador acompanhar essa margem, mas vale conferir você mesmo: pedir mais crédito do que a margem permite não é possível, o sistema simplesmente bloqueia a operação acima do limite.

Regra prática: mesmo com margem disponível, comprometer o teto de 35% do salário por vários meses reduz bastante seu fôlego para imprevistos. Antes de usar toda a margem, avalie se não é mais seguro guardar uma parte dela como reserva — veja nosso guia sobre reserva de emergência.

Taxas de juros e o novo teto do CET

Segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a taxa média do consignado CLT gira em torno de 3,2% ao mês, com contratos variando entre 1,63% e 6,87% ao mês, dependendo da instituição financeira, do prazo e das garantias oferecidas. É bem menos que o crédito pessoal sem garantia (que costuma passar de 10% ao mês) e muito menos que o rotativo do cartão de crédito.

Em abril de 2026, o MTE publicou uma resolução do CGCONSIG (Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado) criando um teto para o Custo Efetivo Total (CET) — o indicador que soma juros, tarifas, seguros e demais encargos da operação. Pela nova regra, o CET não pode ultrapassar em mais de 1 ponto percentual a taxa de juros mensal contratada. Na prática: se o contrato tem juros de 1,5% ao mês, o custo total não pode passar de 2,5% ao mês. As instituições consignatárias só podem cobrar quatro tipos de valor na operação: juros remuneratórios, encargos por atraso, tributos e seguro prestamista — este último apenas se você contratar por vontade própria.

ModalidadeFaixa de juros aproximadaGarantia
Consignado CLT (Crédito do Trabalhador)1,63% a 6,87% ao mêsDesconto em folha, com FGTS opcional
Crédito pessoal sem garantiaGeralmente acima de 8% a 10% ao mêsNenhuma
Rotativo do cartão de créditoEntre as mais altas do mercadoNenhuma

Os valores de mercado variam e mudam com frequência — use-os apenas como referência de proporção, e confirme as taxas exatas oferecidas a você diretamente na simulação, antes de fechar contrato.

Como contratar, passo a passo

  1. Baixe ou abra o aplicativo Carteira de Trabalho Digital e faça login com sua conta gov.br;
  2. Acesse a seção de Crédito do Trabalhador e simule o valor desejado — o sistema já mostra sua margem consignável disponível;
  3. Compare as propostas das instituições financeiras autorizadas a operar na plataforma;
  4. Escolha a oferta, confira o CET e as condições, e finalize a contratação de forma digital, sem precisar ir a uma agência;
  5. A partir daí, a parcela passa a ser descontada diretamente do seu salário, informada ao empregador via eSocial.

Garantia com o FGTS: vale a pena oferecer?

Na hora de contratar, o sistema pode oferecer a opção de usar parte do FGTS como garantia. Você pode autorizar o uso de até 10% do saldo do FGTS e/ou até 100% da multa rescisória de 40% (a que a empresa paga em caso de demissão sem justa causa) como garantia da operação. Isso normalmente reduz a taxa de juros oferecida, porque diminui o risco do banco.

O ponto de atenção: essa garantia só é executada se você for demitido e ficar inadimplente com o consignado — nesse caso, o banco pode usar o percentual do FGTS e da multa para quitar parte da dívida. Fora dessa situação, o saldo do FGTS continua rendendo normalmente e disponível para as demais hipóteses de saque. Se você já entende como funciona o fundo, vale revisar nosso guia sobre como funciona o FGTS antes de autorizar qualquer garantia sobre ele.

Portabilidade: dá para trocar de banco

Desde maio de 2025, o Crédito do Trabalhador conta com portabilidade entre instituições financeiras — assim como já existe no consignado do INSS. Se depois de contratar você encontrar uma taxa menor em outro banco, pode solicitar a transferência do contrato, quitando a dívida original com o novo credor em condições melhores. A simulação de portabilidade também é feita pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital.

Riscos e cuidados antes de contratar

Qual a diferença para o consignado do INSS

São dois programas distintos. O consignado que já existia para aposentados e pensionistas do INSS segue com suas próprias regras de margem e teto de juros, detalhadas em nosso guia sobre empréstimo consignado do INSS. O Crédito do Trabalhador é o equivalente para quem ainda está na ativa, com carteira assinada — a lógica de desconto em folha é parecida, mas a origem do desconto (benefício previdenciário x salário) e as instituições participantes podem variar.

Perguntas rápidas

O consignado CLT aparece na minha carteira de trabalho como uma "marca negativa"?

Não. A contratação é um empréstimo comum, apenas com forma de pagamento diferente (desconto em folha via eSocial). Ela não altera seu vínculo empregatício nem aparece como advertência.

Se eu for demitido, o que acontece com o consignado CLT?

O saldo devedor pode ser quitado com o que estiver disponível de rescisão e com as garantias que você autorizou (FGTS e multa), conforme as condições do contrato. Se sobrar saldo, ele passa a ser cobrado normalmente, sem o desconto em folha. Por isso é importante entender exatamente o que foi oferecido como garantia no momento da contratação.

Vale a pena usar o consignado CLT para quitar dívidas mais caras?

Pode ser uma boa estratégia, já que a taxa costuma ser bem menor que a do rotativo do cartão ou do crédito pessoal sem garantia — mas isso só faz sentido dentro de um planejamento maior. Antes de trocar uma dívida por outra, vale mapear tudo o que você deve: confira nosso passo a passo para sair das dívidas.

O consignado CLT afeta meu score de crédito?

Como qualquer crédito contratado, ele entra no seu histórico e no seu nível de endividamento — pagar as parcelas em dia tende a ajudar seu score de crédito, enquanto atrasos prejudicam, mesmo com o desconto sendo automático.

Aviso: este conteúdo tem caráter educativo e informativo. Regras, margens e taxas de juros do Crédito do Trabalhador podem mudar — confirme sempre as condições vigentes no aplicativo Carteira de Trabalho Digital e no site do Ministério do Trabalho e Emprego (gov.br) antes de contratar qualquer operação de crédito.
GG

Escrito e revisado pela Equipe Guia da Grana com base em fontes oficiais (Receita Federal, INSS, Banco Central, Caixa e gov.br). Revisamos os artigos periodicamente para manter valores, prazos e regras atualizados. Conheça nosso processo editorial.