Tesouro Direto, CDB e poupança: como funciona o imposto de renda e qual rende mais

Por Equipe Guia da Grana · Publicado em 1 de setembro de 2026 · Investimentos · Leitura de 9 min

Tesouro Direto, CDB e poupança: como funciona o imposto de renda e qual rende mais

Muita gente compara CDB, Tesouro Direto e poupança olhando só para a taxa anunciada — "rende 100% do CDI", "rende a Selic" — e esquece da variável que mais confunde na hora de decidir: o imposto de renda. Duas aplicações com a mesma taxa bruta podem entregar valores líquidos bem diferentes na sua conta, dependendo de quanto tempo o dinheiro fica investido.

Neste guia você entende como o Fisco tributa cada um desses produtos, por que a poupança é isenta, o que é a tabela regressiva do imposto de renda e do IOF, e como montar a conta para comparar o rendimento líquido — o que realmente cai na sua conta — e não só o número que aparece no aplicativo do banco.

Os três produtos, em resumo

Dentro do Tesouro Direto existem três famílias principais de título: o Tesouro Selic (acompanha a taxa básica de juros, ideal para reserva de emergência e objetivos de curto prazo), o Tesouro Prefixado (taxa fixa combinada na compra) e o Tesouro IPCA+ (rende a inflação mais uma taxa fixa, indicado para objetivos de longo prazo, como aposentadoria).

Por que a poupança não paga imposto de renda

A isenção da poupança para pessoa física é uma regra específica, criada para incentivar a captação de recursos para o financiamento habitacional (parte do dinheiro depositado na poupança é direcionado por lei ao crédito imobiliário). Por isso ela foge da lógica que vale para praticamente todos os outros investimentos de renda fixa.

O problema é que essa isenção não compensa, na maioria dos cenários de juros altos, o rendimento mais baixo da poupança comparado a um CDB ou Tesouro Selic — mesmo depois de pagar imposto sobre esses últimos. É por isso que comparar "rendimento líquido de imposto" e não só a taxa anunciada é essencial.

A tabela regressiva do imposto de renda

CDB, Tesouro Direto (nas três modalidades) e a maioria dos fundos de renda fixa seguem a tabela regressiva de imposto de renda, criada pela Lei nº 11.033/2004. A alíquota incide apenas sobre o rendimento (o lucro obtido), nunca sobre o valor aplicado, e diminui quanto mais tempo o dinheiro fica investido:

Tempo de aplicaçãoAlíquota de IR sobre o rendimento
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias (2 anos)15%

O imposto é retido automaticamente na fonte no momento do resgate ou do vencimento — você não precisa calcular e recolher por conta própria. Mas ele já sai descontado do valor que cai na sua conta, então é esse número líquido que deve entrar na sua comparação entre investimentos.

Regra prática: quanto mais cedo você resgata, maior a alíquota. Se o dinheiro não tem prazo definido para ser usado (como a reserva de emergência), a alíquota mais alta pesa menos, porque o produto certo para esse objetivo tem liquidez diária mas normalmente segue rendendo mesmo com IR maior nos primeiros meses. Já para objetivos de longo prazo, ultrapassar os 720 dias garante a menor alíquota da tabela.

O IOF: a pegadinha dos primeiros 30 dias

Além do IR, existe o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que incide sobre o rendimento de aplicações resgatadas em menos de 30 dias. A alíquota começa em 96% do rendimento no 1º dia e cai progressivamente a cada dia, chegando a zero a partir do 30º dia — quando só resta o IR normal da tabela regressiva.

Na prática, isso significa que resgatar um CDB ou um título do Tesouro poucos dias depois de aplicar praticamente zera o ganho daquele período — o IOF come quase todo o rendimento bruto. Por isso, dinheiro que você pode precisar usar a qualquer momento (como parte da reserva de emergência) só deve ir para produtos com liquidez diária, mas evitando resgates repetidos em prazos curtíssimos sempre que possível.

Segurança: FGC x garantia do Tesouro Nacional

Os três produtos são considerados de baixo risco, mas a garantia por trás de cada um é diferente:

Isso significa que espalhar dinheiro entre bancos diferentes, respeitando o limite do FGC em cada um, é uma forma de reduzir risco ao usar CDBs — algo que não é necessário no Tesouro Direto, onde o risco está concentrado no próprio governo, não na instituição em que você compra o título.

Valores mínimos e custos de cada produto

PoupançaCDBTesouro Direto
Valor mínimoSem mínimo definido em leiVaria por instituição (alguns a partir de poucos reais)A partir de R$ 30 (fração de título)
Taxa de administração/custódiaNão háGeralmente não há taxa cobrada do investidorTaxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano
Isenção de taxa de custódiaTesouro Selic: isento de custódia até R$ 10 mil por CPF (desde 08/2020)
Imposto de rendaIsentoTabela regressiva (15% a 22,5%)Tabela regressiva (15% a 22,5%)

A taxa de custódia da B3 é calculada sobre o valor investido e cobrada semestralmente (ou no vencimento/resgate, o que ocorrer primeiro). Para quem está começando com valores até R$ 10 mil aplicados no Tesouro Selic, essa taxa nem chega a incidir.

Comparando o rendimento líquido: um exemplo

Imagine R$ 10.000 aplicados por 1 ano (365 dias) em três opções, todas rendendo próximo da taxa Selic — que, segundo o Banco Central, estava em 14,00% ao ano em agosto de 2026 (o Copom se reúne a cada 45 dias e pode alterar essa taxa; confirme o valor vigente em bcb.gov.br antes de qualquer decisão). Este exemplo é apenas ilustrativo, para mostrar o efeito do imposto — não é uma promessa de rentabilidade:

ProdutoRendimento bruto aproximadoIR retidoRendimento líquido aproximado
Poupança (regra atual, abaixo da Selic)Menor que os demais na maioria dos cenários de juros altosIsentoIgual ao bruto
CDB 100% do CDIPróximo da Selic/CDI do período20% (prazo de 181 a 360 dias) ou 17,5% (acima de 360 dias)Rendimento bruto menos o IR da faixa correspondente
Tesouro SelicPróximo da Selic do períodoMesma tabela regressiva do CDBRendimento bruto menos o IR da faixa correspondente

Repare que CDB e Tesouro Selic pagam a mesma alíquota de imposto para o mesmo prazo — a diferença entre os dois normalmente está na taxa contratada (percentual do CDI oferecido pelo banco no CDB) e não na tributação. Já a poupança, mesmo isenta, costuma perder para as duas opções quando a Selic está em patamar elevado, porque sua regra de rendimento (ligada à Taxa Referencial mais um percentual) tende a ficar abaixo do CDI líquido de imposto nesses cenários.

E as opções isentas, como LCI e LCA?

Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA) também são investimentos de renda fixa emitidos por bancos, com garantia do FGC dentro dos mesmos limites do CDB — mas, diferente do CDB, são isentas de imposto de renda para pessoa física. Em compensação, costumam ter prazos de carência mais longos e taxas de retorno um pouco menores que um CDB equivalente, já que o banco embute parte do "ganho" da isenção na taxa oferecida. Vale sempre comparar a taxa líquida de cada opção — e não decidir só pelo fato de uma ser isenta e a outra não.

Preciso declarar esses investimentos no Imposto de Renda?

Sim. Saldos em poupança, CDB e Tesouro Direto precisam ser informados na ficha de "Bens e Direitos" da sua declaração anual de imposto de renda, mesmo quando o valor investido está abaixo do limite de obrigatoriedade de declarar por outros motivos, se você já for obrigado a declarar. Os rendimentos tributados na fonte (CDB e Tesouro) normalmente entram como "rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva" e não compõem a base de cálculo do imposto devido no ajuste anual — mas precisam constar na declaração para que a Receita cruze as informações enviadas pelas instituições financeiras e evite que você caia na malha fina.

Perguntas rápidas

Qual rende mais: CDB ou Tesouro Direto?

Depende da taxa contratada em cada um. Como os dois seguem a mesma tabela de imposto de renda para o mesmo prazo, a comparação justa é entre a taxa bruta oferecida por cada produto (por exemplo, "105% do CDI" no CDB versus a taxa do Tesouro Selic do dia), não entre a tributação.

Vale a pena resgatar antes de completar 30 dias?

Em geral, não. O IOF regressivo consome a maior parte do rendimento nesse período, então resgates muito rápidos tendem a devolver quase só o valor aplicado, sem ganho real.

A poupança nunca vale a pena?

Ela pode fazer sentido pela simplicidade para quem está começando a organizar as finanças ou tem valores muito pequenos, mas, tecnicamente, costuma perder para o Tesouro Selic e para CDBs de liquidez diária de bancos sólidos na maioria dos cenários de juros — sem exigir mais complexidade real para investir nessas alternativas.

Onde confirmo a taxa Selic e as regras atualizadas?

No site do Banco Central do Brasil (bcb.gov.br) para a taxa Selic vigente, e no site oficial do Tesouro Direto (tesourodireto.com.br) ou da B3 para regras de custódia e tributação — essas informações podem mudar e devem ser conferidas antes de qualquer decisão.

Antes de escolher onde investir, vale garantir que sua reserva de emergência já está montada — ela é o alicerce que permite correr riscos calculados sem comprometer as contas do mês. E se você caiu na malha fina por não ter declarado rendimentos de investimentos corretamente, veja o que fazer no nosso guia sobre restituição do imposto de renda e malha fina.

Aviso: este conteúdo tem caráter educativo e informativo, e não constitui recomendação de investimento. Taxas, alíquotas e regras de tributação podem mudar — confirme sempre as condições vigentes nos canais oficiais (Banco Central, Tesouro Direto, B3, Receita Federal) antes de tomar decisões financeiras.
GG

Escrito e revisado pela Equipe Guia da Grana com base em fontes oficiais (Receita Federal, INSS, Banco Central, Caixa e gov.br). Revisamos os artigos periodicamente para manter valores, prazos e regras atualizados. Conheça nosso processo editorial.